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24 Junho 2026

Rumo ao 80º aniversário da canonização de Francesca Cabrini - 4

Rumo ao 80º aniversário da canonização de Francesca Cabrini - 4

Angelus de João Paulo II, domingo, 19 de fevereiro de 1995

Queridos irmãos e irmãs:

 

1. Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, exortei as mulheres a serem «testemunhas, mensageiras, mestras da paz nas relações entre as pessoas e as gerações, na família, na vida cultural, social e política das nações» (n. 2; cf. L'Osservatore Romano, edição em língua espanhola, 9 de dezembro de 1994, p. 4). São numerosas as figuras femininas que desempenharam e continuam a desempenhar essa missão de maneira exemplar. Entre elas, desejo destacar Santa Francisca Xavier Cabrini, padroeira dos emigrantes, um campo de apostolado que continua a ter grande atualidade.

É verdadeiramente admirável o que Madre Cabrini foi capaz de realizar. Ela nasceu na Lombardia, em meados do século passado, e dedicou-se aos emigrantes que, nos Estados Unidos e em outros países da América, encontravam diversas dificuldades de integração. Para eles, organizou escolas, asilos, colégios, hospitais e orfanatos, apesar de contar com poucos recursos, confiando unicamente na divina Providência. O amor ao Coração de Cristo a impulsionava e a sustentava. «O Sagrado Coração — disse ela certa vez — tem tanta pressa em fazer as coisas, que não consigo acompanhá-lo». Era a Cristo que ela reconhecia e servia no rosto dos imigrantes, para os quais queria ser uma mãe afetuosa e incansável.

2. Sua obra, um verdadeiro milagre de caridade, é uma contribuição singular para a causa da paz, uma verdadeira pedagogia da paz. Madre Cabrini, com delicada intuição, percebeu que não bastava oferecer aos imigrantes apenas ajuda material. Era necessário ajudá-los a integrar-se plenamente na nova realidade social, sem perder os valores autênticos de sua própria cultura. Ela própria, sem deixar de amar a Itália, adotou a nacionalidade americana, integrando-se profundamente ao povo ao qual Deus a havia chamado para cumprir sua missão.

Não é difícil perceber a atualidade desse testemunho. Devido às crescentes correntes migratórias, que levam milhões de pessoas de uma nação para outra, de um continente para outro, especialmente dos países em desenvolvimento para as sociedades do bem-estar, já percebemos hoje a necessidade de compreensão recíproca, acolhimento e integração, e talvez ela seja muito maior no futuro. Portanto, é evidente que a construção desse futuro exige homens e mulheres de paz. Em particular, precisa de corações maternos como o da Madre Cabrini, ricos das potencialidades da alma feminina purificada pelo amor evangélico.

3. Encomendemos à Santíssima Virgem o caminho da integração entre os povos, na sociedade multicultural e multirracial do nosso tempo. Que Maria nos forme a todos na acolhida e na solidariedade. Que aqueles que chegam de países distantes se sintam compreendidos pelas populações que os acolhem, e que sempre os respeitem e amem como irmãos e irmãs. Que a Mãe do Senhor conceda às mulheres uma consciência viva de seu papel indispensável na construção de uma sociedade rica em calor humano e fraternidade generosa.

 

 

 



 

 

 

 

 



 

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